Wania Merigo – Histórias que Inspiram #47

“Passei metade da vida fingindo ser uma pessoa que não era, negando por anos minha própria essência para agradar os outros.

Deixei de fazer o teatro e fui para a Psicologia, mas não era ainda a minha essência absoluta. O medo não deixava eu me realizar completamente. Trabalhei durante quinze anos como analista de pesquisa de mercado para pagar contas, mas não suportava. Conforme fui me frustrando, meu corpo foi engordando e a compulsão tomou conta de mim. Eu me olhava no espelho e não me via, não me enxergava e não me aguentava mais.

A comida era meu refúgio, só pensava em comer, meu único prazer, achava que isso era sofrimento, me vitimizava o tempo todo.

Até que dia 9 de Maio de 2005, minha vida mudou completamente. Recebi a pior notícia: assassinaram meu pai à queima roupa, em São Paulo. (Não entrarei em detalhes no assunto.)

Minha família ficou dilacerada. Eu fiquei sem o chão que já não tinha. Toda aquela minha vitimização não era nada, eu não era nada. De onde tiraria forças para enfrentar essa situação? Pensei que não fosse sobreviver, pensei em me matar várias vezes. Só eu sei a dor que eu senti.

Foi ali que percebi que teria que me dar comigo mesma para conseguir enfrentar o que vida me tirou: meu pai. Mas se eu não me sentia realizada em nada, como eu ia me salvar de mim mesma?

Resolvi me mandar do Brasil, e fui parar em Barcelona. Piorou. Não adianta mudar por fora, porque a dor é dentro.

Eu saía andando, tentando fugir daquela dor. Foram meses tentando me livrar daquilo, e nada. Tinha que encarar o frio, pessoas falando outra língua, e a falta de objetivo de ficar em outro país, até a hora que tive que encarar a dor de frente.

E aos poucos fui sentindo uma força interna nascendo, e uma sensação de alívio foi chegando. Fui me descobrindo, me ouvindo, me percebendo, fui tomando propriedade de mim mesma.

Voltei para o Brasil melhor, mais forte, mais aliviada.

E fui renascendo: quase um ano após a morte do meu pai, resolvi fazer tudo o que minha alma sempre desejou. Saí da empresa onde trabalhava há mais de dez anos, voltei a estudar terapias alternativas, tirei meu DRT de atriz.

Entendi que o verdadeiro sabor da vida é saber lidar com seus altos e baixos, principalmente nós mulheres que estamos o tempo todo lidando com essa montanha russa interna.

Temos que cair na pantufa sim, sofrer, encarar a dor e nos fortalecer para termos estrutura de subir no salto e vestir uma lingerie.

Me reinventei. Me encarei e subi no palco para contar essa história.

“Entre Saltos, Pantufas & Lingeries” é um conceito que mostra como nós, mulheres, uma hora estamos no salto, outra na pantufa, e a lingerie é uma delícia.wania merigo

Começou no teatro, e agora também temos palestras para pequenos e grandes grupos, além das mídias sociais.

Bem vindos ao mundo da mulheres reais, um mundo onde transformamos as cinzas em glítter.”

Wania Merigo: 43 anos, atriz, terapeuta floral e autora do blog Entre Saltos, Pantufas & Lingeries

Participe também! Qual é sua história? O que faz vibrar seu coração? O que te dá força? Conte para mim, conte para nós….AQUI. :)

Também quero histórias de homens! Se quiser conhecer as outras histórias, já publicadas, basta clicarAQUI, nasHistórias que Inspiram.

Beijo no coração ;)

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Un comentário to “Wania Merigo – Histórias que Inspiram #47”

  1. 29 de julho de 2017 às 14:47

    Muito legal conhecer esses relatos!

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