Adeus Mia! (peruca)

Foi uma má noticia que me levou ao mundo das perucas. Quando soube que teria que fazer quimioterapia e que iria ficar careca, pelo menos, 6 meses, fui numa loja de perucas e perguntei à senhora:

“Tem perucas naturais com um cabelo da cor do meu e comprido? Vou ter que fazer quimioterapia e não quero que me vejam (nem eu quero me ver) careca. Não quero que saibam que estou em tratamento.”

Este é um dos nossos maiores medos. Mexer com a nossa autoestima que, até aquele momento, ainda vivemos na ignorância achando que ela vem de fora.

Experimentei algumas perucas mas, ”de cara”, me apaixonei por duas. Uma de cabelos abaixo dos ombros e uma chanelzinha. As duas pareciam ser o mesmo cabelo mas com cortes diferentes. Não sabia qual das 2 escolher. Como ainda estava extremamente insegura decidi abrir os “cordões à bolsa” e comprei as duas. Na minha cabeça iria usar uma durante TODO o tratamento. Quando o cabelo estivesse maiorzinho, começaria a usar a Chanel, fazendo com que as outras pessoas achassem que eu apenas tinha cortado o cabelo. Achava eu que iria passar despercebida. E pior, achava eu que isso iria ter tanta relevância….

Pois é! Não teve :) E ainda bem. Assim descobri que a verdadeira autoestima vem de dentro.

Apelidei a Chanel de Mia. Parecia uma criança, espevitadinha, do mundo de Alice, quando saída de casa com ela. No inicio as pessoas que nos (a mim e ao maridão) conheciam apenas de vista achavam estranho porque não me identificavam. Claro que não guardei a Chanel para o final… Hoje uma pessoa que trabalha num restaurante que nós frequentamos, disse-me que no inicio não sabia quem era a esposa do Rodrigo pois ele ora estava com uma mulher de cabelo comprido ora com “outra” de cabelo mais curto…..o maridão ainda passou por “galinha” durante uns tempos. No meio disto tudo quem se deu bem foi ele pois acabou por ter um harém em casa. A Mia e a Vicky (a de cabelo mais comprido) foram apenas o inicio. Depois começou a paixão pelos lenços, depois veio a Jéssica, a Carolina, a Bete, a Ariel e a Petra. Só duas eram de cabelo natural mas as outras serviam para dar uma graça. E, quando o desconforto era grande, saía mesmo careca. Tornou-se acessório para cada humor, para cada roupa, para cada ocasião! E uma forma de tirar uma graça ao meio de tanta angústia e mau estar.perucas vania

Quando terminei o tratamento resolvi guardar a Mia e a Vicky por, pelo menos, 1 ano e meio. Não por medo consciente da doença voltar. Faço a minha parte para me precaver disso e para ter a melhor saúde que o meu organismo me permita ter. No entanto, aqui dentro, o meu eu mais cauteloso dizia para aguardar. Ou então o eu apegado ao emocional que estas 2 “armas” foram para mim e em como me ajudaram a resgatar a beleza e a autoestima naqueles primeiros momentos, em que tudo era novidade e eu ainda estava ganhando forças. O maridão pediu que guardasse uma. Gostou da brincadeira…Mia

Hoje chegou o dia de dizer adeus à Mia. Digo-o com muito prazer. E, junto dela, envio o meu carinho e amor para que a “carequinha” que a receber (a Carol), em Ponta Grossa, no sul, possa sentir a mesma força que a Mia me deu!

Adeus Mia e obrigada por tudo!

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2 Comentários to “Adeus Mia! (peruca)”

  1. viviane claus da silva
    18 de maio de 2015 às 21:12

    estou em tratamento ja fiz tres vermelhas semana que vem vou fazer a ultima depois tenho mais quatro brancas não gostei das minhas perucas e resolvi usar só lenço me sinto melhor

  2. maria araújo
    18 de maio de 2015 às 18:43

    A Mia vai fazer a Carol muito feliz.
    Beijinho

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