Elizabeth Corrêa – Histórias que Inspiram #35

A Elizabeth (Beth Guerreira, como se auto-intitula e faz jus o nome) tem alma de gata! Sim, pelo menos ela tem 7 vidas e muitas histórias para contar. Superação deveria ser seu nome do meio. Passou por “poucas e boas” e a sua força foi buscar, para além de dentro dela, à paixão pela Ivete Sangalo e pelo clube do coração, o Fluminense. Quando descobriu o primeiro câncer, a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi que não ia mais poder aproveitar os shows da sua querida Ivete e pular o Carnaval em Salvador.04-04-1999 - Eu e Ivete no aeropo rto, antes da Páscoa e do 1ºCA

Por isso, esta é a História que inspira desta semana. Pois a Beth está aqui, “viva da silva”, mais um carnaval (e estará muitos outros, se Deus quiser), para compartilhar a sua história conosco.

Rapel no Pao de Acucar em 2010, antes  do CA de intestino. Vida de atleta!“Minha história com o Câncer começa em agosto do ano de 1999. Descobri um pequeno nódulo na mama esquerda (que apareceu quando tinha 18 anos e tive minha filha), e ele começou a crescer rapidamente. Logo fui ao médico do plano de saúde que eu tinha na época, contudo, o plano só cobria exames e não cobria a cirurgia. Tive que operar pelo SUS, mas foi um médico amigo de uma tia me operou em 15 dias, sem fazer exame nenhum…Retirou o nódulo e me encaminhou para o INCA. Lá queriam fazer o esvaziamento das axilas, ou seja, tirar os nódulos e a mama, mesmo eu tendo garantido que não havia necessidade.

Fui procurar o diretor geral do hospital e o convenci de que não havia necessidade de nova cirurgia. Ele, então, me pediu a lâmina com o laudo, para refazer o exame no INCA. Levei 3 meses para conseguir a lâmina do laboratório, tendo que ir pessoalmente buscá-la em outra cidade, pois nada do laboratório me enviar. Consegui, então, ficar com minha mama, mesmo em menor tamanho que a outra, pois só retirei um segmento (Quadrante). Mas, tive que fazer a radioterapia, (25 sessões), que duraram mais de 3 meses, porque o INCA não atendia aos fins de semana e o aparelho vivia quebrando.

A vida se passou cheia de altos e baixos. Entrei em depressão e quase tirei a própria vida por causa de uma paixão que só me trouxe desgraças. Essa mesma paixão, um dia, sem mais nem menos, tentou me matar, com um canivete. Não senti nenhuma dor, a não ser na alma, e essa é a pior das dores!

Passados 11 anos, do primeiro câncer, eu vinha sofrendo, já há um bom tempo, de um sangramento no ânus, e já havia tentado fazer uma colonoscopia pelos SUS. Desta vez, o SUS não adiantou! O médico faltou no dia marcado, depois de eu ter tomado todo o preparo…

Decidi, então, vir para o Rio de Janeiro e usar o plano de saúde que minha mãe me colocou como dependente. Procurei um proctologista que me disse que se tratava apenas de uma hemorroida. Não confiei no diagnóstico dele e fui a outro proctologista…Após ter o diagnóstico de outro Câncer, agora no intestino, em novembro de 2010, fiz todos os exames para operar o mais rápido possível. Tive que fazer 5 cirurgias, devido a complicações nos pós-operatórios. Primeiro uma peritonite, que me levou ao CTI entre a vida e a morte. Então, tive que usar colostomia por 11 meses e, posteriormente, operar para retirá-la. Por último, uma “hérnia incisional” gigante, e ainda uma infecção pós-operatória, que me levou a quinta de todas estas cirurgias.

Após 3 anos de lutas, sem fazer nenhum tratamento, o oncologista em deu alta, em agosto de 2013. Isso porque a “minha doutora Geórgia” estava com Câncer também, e em tratamento. Meu alívio durou apenas 2 meses, pois em outubro de 2013, por causa da Campanha Outubro Rosa, mesmo com meus exames de mamografias anuais, ao fazer o auto-exame, eu descobri um novo nódulo na mesma mama operada. Fui correndo à mastologista, que pediu a biópsia, mas nem precisava: eu já sabia que era “ele” de novo! Novos exames e nova cirurgia em janeiro de 2014. Dra Geórgia voltou a trabalhar na semana em que eu operei e me disse que eu tiraria essa “de letra” depois de tudo que havia passado antes!

Fui em frente, pois nunca fui de recuar numa batalha…Mas, já estava ficando cansada de tantas cirurgias…A cirurgia foi um Careca no hospital quando tive a Neutropenia em julho de 2014sucesso, mas retirei a mama, sem precisar retirar os linfonodos, pois o “sentinela” foi retirado e a biópsia deu negativa. Contudo, a doutora me encaminhou para o oncologista, e ele decidiu que eu teria que fazer a Quimioterapia.

Iniciei em 12 de abril. Seriam 8 sessões, mas, no meio do caminho…

Meu exame anatomopatológico deu igual ao seu: Triplo negativo. E foi pesquisando na internet sobre o que significava isso que descobri o seu blog. Eu também achei que ser tri era bom, e descobri que era o pior diagnóstico. E que não teria outro tratamento “pra gente” a não ser a Quimio, pois a radio eu já havia feito.

Contudo, tive uma infecção intestinal e passei 12 dias em junho no hospital para tratá-la. E, em julho, uma nova infecção por vírus e bactérias, devido a baixa imunidade (Neutropenia), e novamente, fui hospitalizada!

Primeiro dia da QuimioTerapia, levei o Mickey e encontrei Ivete com ele lá tb, numa revista.Quase me mataram no CTI, por falta de médicos, eu tive uma hipotermia e ninguém veio me tratar. Agonizei por quase 2 horas sem vir ninguém em pleno CTI. Isso também porque um outro paciente havia se suicidado no quarto ao lado do meu, naquele horário. Tive uma febre de 40 graus, e nada de remédios. Quatro horas depois, quando mudou o plantão, chamei a Ouvidoria do hospital e a médica do novo plantão exigiu que me tirassem dali. Fui, então, para o quarto, onde recebi as medicações adequadas.

Contudo, depois de mais uma semana hospitalizada, e tendo que tomar até injeção no abdome para produzir mais leucócitos, eu pedi ao meu oncologista para parar o tratamento. E ele me convenceu a continuar, mudando-o de 21 em 21 dias para semanal, até ao fim. Diminuindo assim os efeitos colaterais. Terminei o tratamento dia 18-09-14.

Espero, sinceramente, que esse tempo de lutas tenha terminado! Afinal, foram 3 Cânceres, sendo 2 seguidos. Nenhuma metástase, pois o nosso tipo pode ser genético. Não temos como saber se ele um dia voltará e aonde…

Só tendo muita fé e paciência para suportar tudo isso!

Abraços da Beth Guerreira. (Elizabeth Ribeiro Corrêa)

Elizabeth Ribeiro Corrêa
52 anos, Divorciada
Rio de Janeiro, RJ – Brasil
Força “gata guerreira”. O mundo é seu! Você pode o que você quiser!

As nossas histórias dão um sentido à nossa vida e ajudam a vida dos outros. Qual é sua história? O que faz vibrar seu coração? O que te dá força? Conte para mim, conte para nós….AQUI. :) Também quero histórias de homens! Se quiser conhecer as outras histórias, já publicadas, basta clicar AQUI, nas Histórias que Inspiram.

Beijo no coração ;)

Siga também:
Instagram e Twitter @minhavidacomigo
Facebook https://www.facebook.com/MinhaVidaComigo
Youtube https://www.youtube.com/user/vaniacastanheira

2 Comentários to “Elizabeth Corrêa – Histórias que Inspiram #35

  1. 21 de fevereiro de 2015 às 22:36

    Cada história serve de exemplo para mostrar que esta doença não escolhe cor, raça, religião e muito menos idade. Temos que aproveitar os momentos de nossas vidas para estar com as pessoas que gostamos. O tempo vai e não volta mais. O presente é um presente, então aproveite-o. bio

    • Elizabeth
      10 de março de 2015 às 18:52

      Sim Rodrigo! Aprendi isso…que temos apenas nosso tempo, e que ele não tem data de validade…tendo então, que aproveitarmos ele da melhor maneira, sendo solidária, dividindo nossas dores para amenizar aqueles que também sofrem como nós…e principalmente, tendo sempre a esperança de que tudo podemos fazer se tivermos fé e Deus no coração!

Escreva um comentário

*