Guadalupe – Caribe Francês

Vivemos numa era em que parece que já ouvimos falar de todos os países, ilhas e arquipélagos do mundo! Nada mais há para descobrirmos, apenas para conhecermos pessoalmente. Isto porque se quisermos viajar sem sair do nosso computador, podemos faze-lo. Podemos “navegar” pelas ondas da internet e chegar nos lugares mais inóspitos que, de outra forma, não poderíamos conhecer. Por isso muito me espantei quando, há 3 anos, o meu irmão, que estava a fazer mestrado na Austrália, declarou à família: “Estou a namorar uma francesa de Guadeloupe (em português Guadalupe)”. Ninguém quis parecer ignorante e fez-se silêncio. Não é que não estivéssemos felizes. Estávamos! Pois se ele está feliz, todos ficamos também, por osmose! Apenas ninguém sabia onde ficava Guadalupe!

Pois bem! E tudo se intensificou no ano passado quando, o caçula que já estava morando em Singapura e muito bem empregado, nos declarou: “Não consegui esquecer a minha francesa e vou morar com ela em Guadalupe!”. Ai que ele realmente é meu irmão! Ok, pronto, lá vamos nós procurar saber mais e mais deste arquipélago ultramarino francês de onde saiu esta menina francesa que deu a volta à cabeça do meu irmãozinho!

Pouco se encontra na internet e, nas agências de viagem, ninguém nunca ouviu falar! Cada vez mais comecei a ficar interessada neste lugar que parece estar passando despercebido no mapa do Caribe. Encontramos algumas imagens mas praticamente nada sobre turismo. No entanto, eu precisava arranjar uma forma de ir até lá. Conhecer a nova vida do meu irmão e….as ilhas misteriosas.

E assim foi. O final do ano passado e inicio de 2015 foram passados lá, em família, como puderam acompanhar pelo Instagram. Eu, maridão, mamãe, papai, irmão e namorada do irmão…no paraíso que os franceses, tão secretamente, guardam para eles.

guadeloupeGuadalupe é uma Europa com jeito caribenho onde a temperatura varia, O ANO INTEIRO, entre os 25 e os 30ºC! Fui conquistada logo ali de cara! É composta por duas ilhas maiores (Basse-Terre e Grande-Terre), quase coladas e unidas por uma ponte. Vista de cima, formam uma borboleta (ownnn). Guadalupe é formada também por outras pequenas ilhas, cada uma com seu charme: La Désirade, Les Saintes (fazem lembrar as pequenas ilhas de Itália e o sul de França) e Marie-Galante.

O que mais me espantou foi a diferença paisagística em curtas distâncias. De um lado, Basse-Terre, onde fica localizada a “capital do arquipélago” Malendurecom o mesmo nome, e a ilha maior, é mais montanhosa. Tem picos elevados e uma densa floresta tropical. Um vulcão adormecido (“La Soufrière”), praias de areia branca, outras de areia negra (vulcânicas), um lugar incrível para mergulhar (Reserva Cousteau), a Casa do Cacau, cachoeiras incríveis com trilhas para todos os níveis (são 200km de trilhas) e uma estrada que atravessa a montanha (Route de la Traversé) que tem um visual para lá de espetacular.

O norte da ilha começa com uma vegetação seca e plana e, de repente, começa a ficar mais rochosa e a estrada caminha sob enormes penhascos à beira-mar. Tem uma das praias mais maravilhosas (para tomar banho e para surf), conforme se vai descendo que é também a maior de Guadalupe: Grande-Anse. O interior da ilha é pura floresta, tirando algumas partes, no extremo norte, onde tem as plantações de cana de açúcar. Conforme se vai descendo o litoral da ilha, chegamos à praia de Malendure (de areia negra) onde é o paraíso do mergulho (Reserve Cousteau). Várias casas especializadas em chocolates artesanais e em cafés. Na Maison do Cacao tive uma lição sobre o fruto que me deixou impressionada…ao mesmo tempo que degustava vários chocolates. No sul da ilha vi um dos pores do sol mais lindos da minha vida, em Fort-Vieux. Foi também no último dia da nossa viagem…em família.

LézardeacomatGrande AnseNa outra parte da borboleta, fica a ilha Grande-Terre. Apesar desta ilha ser mais plana leva o nome de “alta” (grande=alta). E isto deve-se aos ventos que vêm do nordeste, os ventos alísios que sopram de zonas de alta pressão._MG_0029

_MG_0180_MG_0960_MG_1256IMG_0096_MG_1265Nesta ilha ficam os resorts, tem águas protegidas por recifes de corais e, nas áreas abertas ao atlântico, há excelentes ondas para a pratica de surf, kite e windsurfe. O norte é cheio de visuais incríveis, cénicos, para passear de carro. E no sul tem as praias paradisíacas e onde fica a minha favorita: La Caravelle. Apesar de ter uma estrutura do Club Med, a praia tem um visual espetacular e agrada a uma família inteira. Ela faz um L. Numa parte venta imenso e é propicia para a prática de Wind e kite surf. No bico do L tem 2 bancadas para o surf: numa ficam os surfistas e noutra quem surfa com o kite. No outro L, não corre “um vento” e é ideal para quem gosta de “lagartear”, fazer stand up paddle, andar de hobie cat, etc.IMG_0286-2

guadeloupe DCIM158GOPROguadeloupe go proO interior da ilha é ocupado pelas plantações de cana de açúcar. E aqui fica também a cidade maior do arquipélago: Pointe-à-Pitre, onde ficam concentrados os maiores problemas sociais.

IMG_1197 Les Saintes (um conjunto -arquipélago- de ilhas minúsculas que fica ao sul de Basse-Terre) é o charme de Guadalupe! Um Caribe mais rústico, colorido, tranquilo, de pescadores e de suas águas translúcidas, quentes e ricas! Um aquário de águas abertas e baías. Terre-de-Haut, mais precisamente Bourg des Saintes, é onde chega o ferry. É tranquila e parece MUITO o sul de França e de algumas ilhas Italianas. É considerada uma das baías mais belas do mundo pelo http://world-bays.com. Uma vila pitoresca que nos deixa de sorriso no rosto assim que saímos do barco. O lugar ideal para ir, passar o dia, uma noite e voltar no dia seguinte. Alugamos 3 motocas (scooters) e passeamos rapidamente por todos os pontos, terminando o dia num lugar maravilhoso, na praia de Pain Sucre (“Pão de Açúcar”). Um aquário natural onde nos deliciamos a fazer snorkelling!

les saintes_MG_0453_MG_0478_MG_0488Curiosidades

  • 85% da população é negra (influência dos escravos que vieram para as plantações de cana de açúcar e de alguns Indianos que, após a abolição da escravatura, vieram trabalhar para as mesmas plantações – mas com condições diferentes) e isso dá um toque especial à culinária, por exemplo;
  • A agricultura é a base da economia que atende diretamente França. O principal produto de exportação é a banana que cresce nas encostas do vulcão;
  • Com alguma frequência os sindicalistas fazem greve reclamando altos custos de vida;
  • As influências francesas, africanas e indianas vêm-se na arquitetura, na culinária e na língua (existe um dialeto crioulo entre os que habitam a ilha há mais tempo);
  • As pessoas são extremamente educadas e bem dispostas. Todas se cumprimentam na rua: Bonjour até às 12h e depois Bonsoir. E quando sair do estabelecimento ouve-se o Au revoir;
  • Os animais que mais se vêm nas ilhas são cabras;
  • O turismo é, maioritariamente francês, vindo do continente;
  • A população é maioritariamente jovem;
  • O Guaxinim é o animal que simboliza Guadalupe;
  • Prima-se pela qualidade de vida: os restaurantes abrem entre as 12h e as 15h e entre as 19h e as 22h. Supermercados e farmácias fecham às 19h/20h e depois das 22h é difícil encontrar um posto de gasolina aberto (quase ficamos sem gasolina);
  • Culinária: os pratos variam entre 10 e 20 euros;
  • A moeda é o euro;
  • Quase ninguém fala inglês, por isso, capriche numas aulinhas de Francês antes de ir;
  • A comida é boa em qualquer lugar. Não teve um dia em que tenhamos comido mal! A culinária crioula (local), é rica em especiarias e na pimenta!!
  • É necessário alugar um carro para conhecer Basse e Grande Terre. Ou então pode andar de carona. As estradas são impecáveis e toda a gente respeita o transito;
  • Fiquei viciada em Sorbet de Coco. Um sorvete cremoso de coco, feito em recipientes específicos e que, claro, leva leite condensado.

IMG_0174Foram 19 dias intensos de passeios, emoções, conversas em Francês, Inglês e Espanhol, comilança boa e pouco descanso. E agora? Agora ficam as lembranças, as saudades e começam os planos da próxima aventura. E de quando verei a minha familia unida novamente. Se me permitem deixar um conselho, um desejo para vocês, é que vivam! Acumulem experiências, viagens (nem que sejam a 100km de casa mas saiam da zona de conforto), amigos de vários cantos do mundo, de várias culturas. É isto que levamos da vida! Acreditem que, em situação de vida ou morte, quando chegamos perto de pensar que talvez tenha chegado a nossa hora, só pensamos em 2 coisas: nas pessoas que realmente amamos (que são poucas e por isso valorize-as!) e no que vivemos, nas experiências que tivemos. Se foram suficientes!

Au revoir e bon voyage!

Guadeloupe

Fotos Maridão Rodrigo Roveri

Veja mais sobre a viagem, pelas palavras do meu pai AQUI

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7 Comentários to “Guadalupe – Caribe Francês”

  1. 26 de novembro de 2016 às 11:50

    Será que aceitam imigrante brasileiro.
    Sou amante da cultura Francesa e aposentado.
    Não iria trabalhar, só residir.
    Ou poderia fazer intercambio cltural para melhorar meu francês, já que na França è muitíssimo caro.

    • 5 de dezembro de 2016 às 14:07

      Olá Diaulas,
      talvez sim. Se você quer mesmo, corra atrás. Um intercâmbio é das melhores experiencias que podemos ter na vida. Nunca mais a nossa vida é a mesma depois de uma experiência como esta.
      Beijinhos

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